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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mordidas

Semanas atrás recebi o seguinte recadinho na agenda do Vinícius: "-Mãe, hoje o Vinícius foi mordido por uma coleguinha, o encaminhamos para enfermaria para aplicar uma pomada no local e ele ficou bem. Estaremos conversando com os responsáveis da criança que o mordeu."



A primeira vista me assustei com o causo, -como assim meu príncipe foi mordido? Mas depois demos muitas gargalhadas dele nos contando sobre o dodói.  Isso é algo completamente novo para nós, pois os dois desconheciam esse lance de morder, das poucas vezes que houve um impulso de mordida, intervíamos e não passava disso. A escola já havia nos alertado sobre essa possibilidade, afinal as mordidas são comuns nessa fase e na maioria das vezes esse comportamento é apenas uma forma de expressão, que no caso do Vini foi mesmo! Pois ele ao contrário do Gabriel, não é muito fã de "agarramentos" ele tem esses momentos pontuais, do tipo que quando quer, quer, mas quando não quer, mantenha distância! Conversando com a professora sobre a "mordedora" em questão, soube que ela é um poço de carinho, mas vive levando "passa fora" do Vini, tadinha. Então para chamar atenção do meu príncipe nipônico largou-lhe um Nhac naquela mão gostosa e irresistível! (quem mandou ser lindo?). Na  real não sei se é pior estar do lado do mordido ou do mordedor, mas sei que com paciência e muita conversa a criança vai se moldando e esse "extinto" desaparece.

E vocês já passaram por isso? Seguem algumas dicas  tiradas daqui, que nos ajudará a lidar melhor com essa fase. 

Bjs Ju
==========

COMO LIDAR COM A FASE DAS MORDIDAS

O coleguinha de classe não quis dividir o brinquedo? Nhac! A mãe está grávida de um irmãozinho? Nhac! Ninguém dá a atenção exigida? Nhac!

Mais do que uma reação de raiva, as mordidas dadas pelas crianças pequenas, com até 2 ou 3 anos de idade, são uma forma de comunicação e de expressão de sentimentos. "Nessa primeira etapa da vida, a criança ainda não domina a linguagem. Então, a forma que ela tem para se expressar, para se comunicar e interagir com os outros é pelos meios físicos, como morder, bater, puxar o cabelo", explica Marilene Proença, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

O fato de as mordidas fazerem parte de uma fase do desenvolvimento das crianças não significa que elas devem ser ignoradas ou aceitas pelos pais. Conheça abaixo um pouco mais sobre essa fase e veja as dicas dos especialistas para saber como lidar quando seu filho é a vítima da mordida ou quando é o autor da dentada em um coleguinha da escola ou mesmo em um adulto.


Enquanto ainda não sabem falar com desenvoltura, as crianças utilizam outros meios para se expressar e para se comunicar. A mordida é uma delas. "As crianças na idade oral ainda não verbalizam com fluência e a linguagem do corpo acaba sendo mais eficaz", diz Rosana Ziemniak, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Magister, de São Paulo. 

"Nessa fase em que as crianças ainda não têm domínio da fala, as manifestações corporais são usadas para manifestar descontentamento, alegria, descobertas", diz Marilene Proença , membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. 

Rosana Ziemniak acrescenta: "O que a criança deseja ao morder um amiguinho não é agredi-lo, mas sim obter de forma rápida algum objeto ou chamar atenção". As mordidas, segundo Marilene Proença, são usadas em situações diversas, e a criança vai avaliando quais os efeitos que as mordidas têm: "A criança morde e depois vê o que acontece. Por exemplo, se ao morder ela consegue o que quer, qual é a reação do outro", comenta Marilene.

Segundo Rosana Ziemniak, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Magister, de São Paulo, a fase oral - assim denominada pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud - é uma etapa do desenvolvimento que vai do nascimento até por volta de dois anos de idade. "Nessa fase, é comum vermos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse. Este é um dos mais importantes e mais primitivo estágio do desenvolvimento infantil, quando a criança ainda é egocêntrica, ou seja, acredita que o mundo funciona e existe por sua causa", explica Rosana. "Sendo assim em sua concepção, tudo que deseja deve ser prontamente atendido e, quando isso não ocorre...nhac!", diz a coordenadora, acrescentando que nessa idade as necessidades, percepções e modos de expressão da criança estão concentradas na boca, lábios, língua e outros órgãos relacionados com a zona oral.

As crianças não nascem sabendo dar mordidas, assim como não nascem sabendo dar tapas ou puxar o cabelo. Quem ensina as crianças a morder, beliscar ou a bater são os próprios adultos e as crianças mais velhas, conforme explica Marilene Proença, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. "Essas ações se aprendem na relação com outras crianças, com os adultos. Os adultos têm esse tipo de brincadeira, dizendo "vou morder você, vou apertar sua bochechinha". A criança assiste a essas formas de comunicação e a partir daí vai usando esses meios para se comunicar também" diz Marilene.

Várias situações podem levar a criança a morder. "Em uma classe na escola de educação infantil em que a professora está grávida, por exemplo, pode haver um sentimento nas crianças de perda ou de abandono, em vista do bebê que vai chegar. O mesmo em casa, se a mãe está grávida do irmãozinho", comenta Marilene Proença, da Abrapee, Outras situações citadas por ela são a mudança de sala na escola, a disputa por um brinquedo ou mesmo pela atenção de outras pessoas.
Quando a criança morde outra pessoa, é importante a mediação de um adulto, para fazer com que ela reflita sobre o que fez e para que entenda que há outras maneiras de conseguir o que deseja. "O adulto deve mostrar à criança que há outros meios de expressar-se ou de conseguir o que se quer. Pode-se dizer, por exemplo: 'se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele', ou 'você quer o brinquedo? Então vamos pedir o brinquedo'", diz Marilene Proença, membro da diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee) e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. 

A especialista afirma que o adulto deve mostrar à criança que a linguagem é a forma certa de se obter as coisas. "O papel do adulto é transformar a atitude corporal em uma atitude mediada pela linguagem. Esse é um grande objetivo da educação, tanto na escola quanto em casa", explica ela. Quando esse ensinamento não é dado logo cedo, as crianças crescem e mantém as atitudes corporais para conseguir o que querem. É o que se vê quando crianças mais velhas se atiram no chão e fazem escândalo quando são contrariadas.

A mordida é sempre uma situação difícil para os pais de ambas as crianças, diz Rosana Ziemniak, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Magister, de São Paulo. "Os pais da criança mordedora sentem-se envergonhados e os pais da criança mordida ficam chateados pelo machucado do filho. Cabe à escola mediar as relações entre as crianças e seus familiares para minimizar os sentimentos negativos e criar situações para estabelecer limites, mostrando a importância do respeito e do tratar bem o amigo que ficou triste por ter sido machucado", diz Rosana. Ela acrescenta que tanto a escola quanto os pais devem aproveitar essas situações para ensinar à criança as regras de convivência. 

Marilene Proença, da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), concorda e diz que os pais não devem aceitar a ocorrência da mordida como uma coisa rotineira. "O ideal é procurar a coordenação da escola, dizer que isso não pode acontecer e procurar entender o que houve para gerar essa situação", comenta ela. Rosana Ziemniak acrescenta que a criança mordida deve ser acolhida e incentivada a expressar seu descontentamento, porém nunca deve ser incentivada a revidar, ou seja, a morder também.

"Apesar de, na maioria das vezes, a mordida fazer parte do desenvolvimento natural da criança, em alguns casos, este comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional", diz Rosana Ziemniak, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Magister, de São Paulo. "Se estas mordidas passam a ser frequentes, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa, com sentimento de rejeição ou tentar chamar a atenção através da agressividade. Quando isso acontece, a família e a escola precisam acompanhar de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas e dependendo do caso, é importante buscar a ajuda de um psicólogo", explica ela, acrescentando, porém, que os casos de ordem emocional não são em si a maioria.


Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Anônimo disse...

Ju, acompanho seu blog há tempos mas nunca comentei.
Minhas pequenas (gêmeas) são quase da idade dos seus e já passei por essa situação das mordidas váriasssssss vezes, só que na condição de mãe da mordedora!! rsrs
As meninas tiveram uma fase terrívelllll (por volta de 1 ano e meio) em que mordiam os coleguinhas do berçário quase todos os dias, já não tinha nem cara mais para olhar para os pais das crianças, vítimas delas! A gota d'água foi quando morderam a professora, aí tive uma reunião com a coordenadora pedagógica e ela me ajudou bastante.
Minhas filhas são meninas lindas, amorosas demais e as mordidas eram sempre o mecanismo de defesa delas, só mordiam se sentissem ameaçadas, seja por um brinquedo ou mesmo por atenção de alguem.
Com muita conversa e muitaaaaaa paciência, coisas que nós, mães de gêmeos temos que ter de sobra, elas foram melhorando mas olha, não foi f´cail não, me questionava onde estava errando, onde elas aprendiam isso, já que em casa não faziam... como sempre, são fases! E graças a Deus passou!

bjs,
Aline

Thalita disse...

Aqui vira e mexe rola uma mordida, sempre durante uma disputa por um brinquedo. Eu fico doidinha, converso, repreendo...não sei mais o que faço, dificil demais, como diz meu marido, que fassseeeee... Bj.

Jú Usui disse...

Os meninos nao mordem, mas acho que foi por falta de convivio com outras crianças, talvez isso mude agora, pois vao aprender se defender tbm....

Mas importante é que essa fase passa!

Bjs, JU

Larissa Andrade disse...

Oi Jú,,
A primeira vez que Milena levou uma mordida, recebi um recadinho na agenda bem parecido com o que recebestes. Confesso que mesmo sabendo desta possibilidade na fase, fiquei chateada e fui falar com uma das tias (na época, duas ficavam com a turminha) para que tivessem mais atenção e assim, as mordidas poderiam ser evitadas a tempo.
De qqr forma, é uma fase que ninguém quer ficar nem do lado do mordedor e nem do lado de quem é mordido rsrs.
Beijos,
Larissa Andrade.

http://maternidadeecotidiano.blogspot.com.br/

Luisa disse...

Oi meninas! Estava lendo o post,pois estou com esse "probleminha " aqui em casa com meus gêmeos de 1 ano e 5 meses. Mas não concordo que aprendam a morder com outras pessoas porque eles não vão para escolinha e não convivem com outras crianças,pois somos novos na cidade. Não sei mais como evitar esse comportamento do Miguel,que morde e belisca,especialmente o Artur. Socorro!!

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